Levar pacientemente cada dia a sua cruz é um dos componentes da abnegação do cristão

A dedicação do cristão deve subir a um ponto ainda mais alto, para o qual Cristo chama todos os que lhe pertencem. Chama-os para que cada qual leve a sua cruz. Porque todos quantos o Senhor adotou e recebeu na comunidade dos seus filhos devem dispor-se e prepara-se para uma vida dura, laboriosa e repleta de labutas e de infindáveis espécies de males. É da vontade do Pai celestial exercitar assim os seus servos, a fim prová-los. Começou a agir dessa forma com Cristo, seu Filho, e depois com todos os demais. Porque, apesar de ser ele seu Filho amado, em quem sempre se agradou, vemos que não foi tratado com brandura concessões indulgentes neste mundo. A tal ponto que se pode dizer que ele não somente padeceu constante aflição, mas também que toda a sua vida foi uma espécie de cruz perpétua. Como, então, vamos querer isentar-nos da condição à qual se sujeitou Cristo, nossa Cabeça? Ainda mais quando nos lembramos de que se sujeitou a isso por nossa causa, para dar-nos exemplo de paciência! Por isso o apóstolo anuncia que Deus predestinou todos os seus filhos para esta finalidade: que se façam semelhantes a Jesus Cristo.

Desse fato nos advém uma singular consolação. É que, sofrendo todas as misérias em geral descritas como coisas adversas e más, co-participemos da cruz de Cristo para que, assim como ele passou por um abismo repleto de todos os males para entrar na glória celestial, assim também nós cheguemos lá por meio de muitas tribulações. Noutra passagem o apostolo Paulo nos ensina que quando experimentamos certa participação nas aflições de Cristo, ao mesmo tempo nos é dado captar o poder da sua ressurreição. E que quando participamos da Sua morte, preparamo-nos dessa maneira para chegar à sua eternidade gloriosa. Quão grande é a eficácia desta realidade, para suavizar todo o amargor que poderia haver na cruz – ter a convicção de que, quanto mais formos afligidos e quanto mais misérias sofrermos, mais certos e seguros estaremos de que estamos unidos a Cristo! Pois quando temos real comunhão com ele, as nossas adversidades não somente se tornam bênçãos, mas também nos ajudam grandemente a progredir em nossa salvação!

Autor: João Calvino
Fonte: As Institutas da Religião Cristã, edição especial, ed. Cultura Cristã
Reforma Radical

2 comentários:

Natanael Genoel disse...

Trovian Muito Abençoada esta sua mensagem continue assim e que Deus venha dar a ti sabedoria não para ganhar fãs, mas almas para Cristo.

Trovian Maucellus disse...

Obrigado!
Que Deus continue te abençoando também!

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