Calvário! Tratado escrito na metade do século XIX  Pelo 1º Bispo da Diocese Anglicana de Liverpool Por Jonh Charles Ryle  Quando era reitor em Helmingham, Suffolk.   


Caro Leitor,   

Você provavelmente sabe que o Calvário foi um lugar próximo a Jerusalém, onde o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, foi crucificado. Fora isso, não sabemos mais nada sobre o Calvário. Eu chamo esse tratado de “Calvário”, porque lhe falarei sobre o sofrimento e a crucificação de Cristo.  

Eu tenho medo que tamanha ignorância prevaleça sobre as pessoas no tocante ao sofrimento de Jesus Cristo. Suspeito que muitos não vêem nenhuma glória peculiar nem beleza na história da crucificação, pelo contrário: eles acham doloroso, humilhante e degradante. Eles não vêem grande ganho na história da morte de Cristo e de seus sofrimentos: eles preferem olhar para isso como algo desprazeroso.  

Acredito que essas pessoas estão um tanto quanto erradas. Não posso concordar com elas. Acredito que seja excelente para todos nós discorrermos continuamente sobre a crucificação de Cristo. É bom sermos sempre lembrados de como Jesus foi abandonado nas mãos de homens maus, como eles O condenaram com o mais injusto julgamento, como cuspiram nEle, açoitaram-nO, espancaram-nO, e coroaram-nO com espinhos, como eles O levaram adiante como um cordeiro para o abatedouro, sem murmúrio ou resistência, como pressionaram os pregos contra Suas mãos e Seus pés, e o deixaram no Calvário entre dois ladrões, como o perfuraram com uma lança, zombaram dEle e de Seu sofrimento, e O deixaram pendurado ali, nu e sangrando até morrer. De todas essas coisas, eu digo, é ótimo relembrar. Não foi por nada que a crucificação foi descrita quatro vezes no Novo Testamento. Existem pouquíssimos assuntos os quais todos os quatro escritores do Evangelho descreveram: de modo geral, se Mateus, Marcos e Lucas contam algo sobre a história do Senhor, João não conta; mas existe uma coisa que todos quatro nos dão inteiramente, e é a história da cruz. Este é um fato narrado, não omitido.  

As pessoas parecem esquecer que todo o sofrimento de Cristo no Calvário foi predeterminado. Esses homens não vieram a Ele por acaso, por acidente: eles foram todos planejados, aconselhados, e determinados por toda a eternidade; a cruz foi prevista em todas as provisões da eterna Trindade para a salvação dos pecadores. Nos propósitos de Deus, a cruz foi estabelecida desde o inicio. Não houve uma palpitação de dor, nem uma preciosa gota de sangue vertida por Jesus, que não tenha sido preestabelecida há muito tempo. A infinita sabedoria estabeleceu que a libertação deveria ocorrer pela cruz, a infinita sabedoria trouxe Jesus à cruz no tempo devido. Ele foi crucificado pelo plano e pela previsão de Deus.   Pessoas parecem esquecer que todo o sofrimento de Cristo no Calvário foi necessário para a salvação humana. Ele precisava carregar nossos pecados, se é que alguma vez eles deveriam ter sido carregados: apenas com suas chicotadas nós poderíamos ser curados. Esse foi o único pagamento por nossos débitos que Deus aceitaria; esse foi o maravilhoso sacrifício em que dependia nossa vida eterna. Se Cristo não tivesse ido à cruz e sofrido no nosso lugar – o justo pelo injusto – não haveria uma faísca de esperança para nós; haveria uma imensa baía entre nós e Deus, onde nenhum homem jamais passaria. A cruz foi necessária, a fim de que o Seu poder fosse a redenção para o pecado.  

Pessoas parecem esquecer de que o sofrimento de Cristo foi suportado voluntariamente e por sua própria vontade. Ele não estava sobre coerção: por escolha própria, Ele sacrificou Sua vida; por escolha própria, Ele foi ao Calvário terminar o trabalho que veio fazer. Ele poderia facilmente ter intimado uma legião de anjos com uma palavra, e dispersar Pilatos, Herodes e todo o seu exército, como palha diante do vento; mas Ele estava disposto a sofrer: seu coração estava firme na salvação dos pecadores. Ele estava resoluto a abrir uma fonte purificadora para todo o pecado e impureza, derramando seu próprio sangue.  

Leitor, quando penso nisso tudo, não vejo nada doloroso ou desagradável na crucificação de Cristo; pelo contrário, vejo nela sabedoria e poder, paz e esperança, alegria e contentamento, conforto e consolação. Quanto mais mantenho a cruz na minha mente, maior a plenitude que percebo nela; quanto mais discorro sobre a crucificação nos meus pensamentos, mais fico satisfeito por ver que há mais para se aprender no Calvário do que em qualquer outro lugar do mundo.  

Saberia eu o grau e a grandeza do amor de Deus Pai para com um mundo pecador? Onde poderia observar isso de forma mais clara? Deveria olhar para o Seu glorioso sol, brilhando diariamente para o ingrato e malvado? Deveria eu olhar para a semente e sua colheita, retornando regularmente numa sequência anual? Oh, não! Não consigo encontrar maior prova de amor do que essa! Eu olho para a cruz de Cristo: e vejo nela não a causa do amor do Pai, mas sua consequência. Ali eu vejo que Deus tanto amou esse mundo pecaminoso, que deu o Seu único, primogênito, Filho – deu-o para sofrer e morrer – para que qualquer pessoa que nEle cresse, não perecesse, mas tivesse a vida eterna. Eu sei que o Pai nos ama, porque por nós, Ele não negou se Filho, seu único Filho. Ah, leitor, algumas vezes imagino que Deus o Pai é muito grande e santo para se importar com criaturas tão miseráveis e corruptas como nós: mas não posso, não devo me atrever a pensar isso quando olho para o sofrimento de Cristo no Calvário.  

Saberia eu o quanto o pecado é depravado e abominável na visão de Deus? Onde posso ver isso de forma mais evidente? Deveria eu voltar à história do dilúvio e ler como o pecado afogou o mundo? Deveria eu ir à praia do Mar Morto e descobrir qual pecado provocou Sodoma e Gomorra? Deveria eu voltar aos judeus sem rumo, e ver como o pecado os espalhou pela face da terra? Não: posso encontrar uma prova ainda mais clara: eu olho para o que aconteceu no Calvário. Lá eu vejo que o pecado é tão obscuro e condenável que nada, a não ser o sangue do Filho de Deus, poderia lavá-lo; lá eu vejo que o pecado me separou tanto do meu santo Criador, que nem mesmo os anjos no céu poderiam fazer a paz entre nós: nada poderia nos reconciliar, apenas a morte de Cristo. Ah, se eu escutasse a conversa miserável do homem orgulhoso, poderia imaginar, talvez, que o pecado não fosse tão pecaminoso; mas não posso pensar tão pouco sobre ele, quando olho para o Calvário.  

Saberia eu a plenitude e a perfeição da salvação que Deus providenciou aos pecadores? Onde posso vê-la mais distintamente? Devo eu ir às declarações gerais na Bíblia sobre a misericórdia de Deus? Devo descansar na usual verdade de que Deus é um Deus de amor? Oh, não! Eu olharei para a crucificação no Calvário. Não encontro outra evidência como essa: não encontro conforto para uma consciência aflita e um coração atribulado como a visão de Jesus morrendo por mim na cruz maldita. Lá eu vejo que um pagamento completo foi feito por todos os meus pecados horríveis. A maldição daquela lei que quebrei, derramou-se sobre Um, que lá sofreu no meu lugar; a exigência daquela lei já foi satisfeita: o pagamento foi feito por mim até o último centavo. Ele não será exigido uma segunda vez. Ah, eu devo algumas vezes imaginar que era muito malvado para ser perdoado; meu próprio coração às vezes sussurra que sou muito ruim para ser salvo. Mas eu sei que isso é tudo minha incredulidade boba. Li uma resposta às minhas dúvidas no sangue derramado no Calvário. Eu tenho certeza de que há um caminho para o céu mesmo para o mais vilão dos homens, quando olho para a cruz.  

Encontraria razões fortes para ser um homem santo? Onde deveria eu voltar-me para elas? Deveria escutar os dez mandamentos apenas? Deveria estudar os exemplos dados na Bíblia sobre o que a graça é capaz de fazer? Deveria meditar nas recompensas do céu, no castigo do inferno? Não há algum motivo mais forte? Sim: eu olharei para o Calvário e a crucificação. Lá eu vejo o amor de Cristo compelindo-me a viver não em mim, mas nEle; lá eu vejo que não sou mais meu, eu fui comprado com um preço: sou compelido pelo mais sagrado compromisso a glorificar a Jesus com meu corpo e espírito, que são dEle. Lá eu vejo que Jesus deu a si mesmo por mim, não apenas para redimir-me das iniqüidades, mas também para me purificar, e fazer-me uma pessoa singular, zelosa das boas obras. Ele perfurou meus pecados no seu próprio corpo na cruz, para que eu morresse para o pecado e vivesse na retidão. Ah, leitor, não há nada tão purificador quanto uma visão clara da cruz de Cristo! Ela crucifica o mundo em nós, e nós no mundo. Como podemos amar o pecado quando nos lembramos que foi por causa dele que Jesus morreu? Certamente ninguém é tão santo quanto os discípulos de um Senhor crucificado.  

Aprenderia eu a ser satisfeito e alegre mesmo sob todas as preocupações e ânsias da vida? A qual escola devo ir? Como posso atingir esse estado de espírito mais facilmente? Devo olhar para a soberania de Deus, Sua sabedoria, providência e amor? É bom fazer isso, mas tenho um argumento ainda melhor. Eu olharei para o Calvário e a crucificação. Eu vejo que Ele, que não poupou seu único e primogênito Filho, mas entregou-o para morrer por mim, irá certamente com Ele dar-me todas as coisas as quais realmente preciso. Ele, que sofreu aquela dor por minha alma, não irá, certamente, reter de mim nada que for verdadeiramente bom. Ele, que fez coisas grandiosas por mim, fará certamente coisas menores também. Ele, que deu seu próprio sangue para ter-me em casa irá, inquestionavelmente, suprir-me com tudo o que é realmente útil para mim. Ah, leitor, não há escola para aprender contentamento que possa ser compara ao Calvário e o pé da cruz.  

Juntaria eu argumentos na esperança de nunca ser lançado fora? Onde devo procurá-los? Devo olhar na minha própria graça e dádiva? Devo me confortar na minha própria fé e amor, penitência, zelo e oração? Devo virar-me ao meu próprio coração e dizer “Esse mesmo coração não será jamais falso e frio”? Oh, não! Deus impeça! Eu olharei para o Calvário e a crucificação. Esse é o meu maior argumento, esse é o meu suporte. Não posso pensar que Ele, que passou por tantos sofrimentos para redimir minha alma, deixará essa mesma alma perecer apesar de tudo, depois que ela já foi modelada por Ele. Oh, não! Pelo que Jesus pagou, Ele certamente manterá. Ele pagou caro por isso e não deixará que se perca facilmente. Ele morreu por mim quando eu era ainda um grande pecador, Ele nunca desistirá de mim depois que acreditei. Ah, leitor, quando Satã lhe tenta a duvidar se os escolhidos de Cristo serão protegidos de cair, você devia dizer-lhe que você, ao olhar para a cruz, não pode se desesperar.
E agora, leitor, você se admirará quando disser que todos os cristãos devem dar mais importância à crucificação? Você não irá agora se admirar que alguém possa escutar sobre o sofrimento de Cristo no Calvário e permanecer imóvel? Eu afirmo não conhecer maior prova da depravação humana do que as centenas dos auto-intitulados cristãos que não vêem nada de gracioso na cruz. Nossos corações podem muito bem serem chamados duros, os olhos de nossa mente, cegos, nossa natureza por completo, doença, nós podemos todos sermos chamados mortos, quando a cruz de Cristo é escutada e, mesmo assim, negligenciada. Certamente podemos pegar as palavras do profeta e dizer “Escute, oh, céus, e fiquem pasmos, oh, terra: algo maravilhoso e terrível foi feito”: Cristo foi crucificado pelos pecadores e, mesmo assim, muitos cristãos vivem como se Ele nunca tivesse sido crucificado!  
Leitor, se você nunca pensou muito sobre o Calvário e a crucificação antes, acredito que você terá aprendido algo hoje. 


Cristo Crucificado 9º Tratado escrito na metade do século XIX  Pelo 1º Bispo da Diocese Anglicana de Liverpool Por Jonh Charles Ryle  Quando era reitor em Helmingham, Suffolk.  
  
LEITOR,  
Não há doutrina no cristianismo tão importante quanto a doutrina do Cristo crucificado.  Não há nenhuma que o diabo tente tão avidamente destruir.  Não há nenhuma tão necessária à nossa própria paz para entendermos.  
Por “Cristo Crucificado”, refiro-me à doutrina de que Cristo sofreu a morte na cruz para reparar-nos de nossos pecados; que por Sua morte, Ele cumpriu a mais plena, perfeita e completa satisfação de Deus para com os descrentes; e, através dos méritos dessa morte, todos os que acreditaram nEle foram perdoados de todos os seus pecados, mesmo sendo estes muitos e grandes, foram inteiramente perdoados e para sempre.  
Sobre essa doutrina sagrada, deixe-me discorrer algumas palavras.
A doutrina do Cristo crucificado é a grande peculiaridade da religião cristã. Outras religiões tem leis e preceitos morais, formas e cerimônias, recompensas e punições; mas essas outras religiões não podem nos relatar sobre um Salvador que morreu, elas não podem nos mostrar a cruz.  Essa é a coroa e a glória do Evangelho, esse é o conforto especial pertencente apenas a ele.

Verdadeiramente miserável é o ensinamento religioso que se auto-intitula cristão, mas que, mesmo assim, não contem nada sobre a cruz.  Um homem que ensina dessa forma deve, de igual modo, afirmar explicar o sistema solar e, ainda assim, não falar nada aos seus ouvintes sobre o sol.
A doutrina do Cristo crucificado é a fortaleza de um ministro. Eu, pelo menos, não ficaria sem ela por nada nesse mundo.  Eu me sentiria como um soldado sem armas, um artista sem pincel, um piloto sem bússola, um trabalhador sem suas ferramentas.  Deixe que os outros, se quiserem, preguem lei e moralidade; deixe que outros falem sobre os horrores do inferno e os prazeres do paraíso; deixe outros habitarem nos sacramentos e na Igreja: dê-me a cruz de Cristo.  Até agora, essa foi a única alavanca que virou o mundo de cabeça para baixo e fez os homens renunciarem a seus pecados e, se isso não o fizesse, nada o faria.  Um homem pode pregar com um conhecimento perfeito do latim, grego e hebraico, mas ele fará pouco ou insuficiente entre seus ouvintes, a não ser que saiba algo sobre a cruz.

Nunca houve um ministro que tenha feito tanto para a conversão de almas, mas que não tenha discorrido longamente sobre a crucificação de Cristo.

Lutero, Samuel Ruherford, Whitfield, M‟Cheyne foram todos célebres pregadores da cruz.
Essa é a pregação que o Espírito Santo se deleita em abençoar, Ele ama honrar aqueles que honram a cruz.  
A doutrina do Cristo crucificado é o segredo de todo sucesso missionário.  Nada além disso moveu tanto o coração dos pagãos.  Assim que isso foi percebido, as missões prosperaram.  Essa é a arma que ganhou vitória sobre os corações de todos os tipos, no quatro cantos da terra: Groelândia, África, Ilhas Australianas, hindus e chineses, todos sentiram o poder da cruz de forma semelhante.  Assim como a ponte que cruza o Estreito de Menais é mais entortada por meia hora de sol do que por todo o peso morto que pode ser posto por sobre ela, assim também os corações dos selvagens comoveram-se diante da cruz, mesmo quando argumento algum parecia surtir efeito sobre eles. “Irmãos," disse um índio norte americano depois de sua conversão, “Eu já fui um pagão.  Eu sei como os pagãos pensam.

Uma vez, um pregador veio e começou a explicar-nos que existia um Deus, mas logo dissemo-lo para voltar ao lugar de onde tinha vindo.  Outro pregador veio e disse para que não mentíssemos, não roubássemos e nem bebêssemos, mas nós não demos atenção a ele.

Por fim, outro veio à minha cabana um dia e disse, „Eu vim a você em nome do Senhor dos céus e da terra.  Ele me enviou para que você soubesse que Ele o fará feliz e o libertará de sua miséria. Para este fim, Ele se tornou homem, deu à Sua vida um preço e verteu Seu sangue pelos pecadores‟. Não pude esquecer essas palavras.  Eu as disse para os outros índios e um despertar começou entre nós. Eu afirmo, portanto: preguem o sofrimento e a morte de Cristo, nosso Salvador, se desejam que suas palavras ganhem abertura entre os pecadores.”

Nunca o diabo triunfou tão fortemente quanto quando ele persuadiu os missionários jesuítas na China a reter a história da cruz! A doutrina do Cristo crucificado é a base para a prosperidade da Igreja. Nenhuma igreja jamais será honrada se o Cristo crucificado não for continuamente professado.  Nada pode compensar a falta da cruz.  Sem ela, todas as coisas podem ser feitas decentemente e em ordem; sem ela, pode até haver cerimônias esplêndidas, música bonita, igrejas suntuosas, ministros instruídos, mesas de comunhão lotadas, grandes coletas para os pobres, mas sem a cruz, nenhum bem será feito.  Corações escuros não serão iluminados, corações orgulhosos não serão humilhados, corações em pranto não serão reconfortados, corações desfalecidos não serão alegrados. 

Sermões sobre a igreja católica e ministro apostólico, sermões sobre batismo e a ceia do Senhor, sermões sobre unidade e divisão, sermões sobre jejuns e comunhão, sermões sobre padres e santos... Tais sermões nunca compensarão a abstinência de sermões sobre a cruz de Cristo. Eles podem divertir alguns, mas não os alimentarão. Uma sala de banquete robusta e esplêndidos pratos de ouro à mesa nunca acabará com ânsia de um homem faminto por comida.  O Cristo crucificado é a grande ordenança de Deus para fazer o bem aos homens.  Sempre que a igreja retém o Cristo crucificado ou coloca qualquer outra coisa no principal lugar em que o Cristo crucificado deveria estar, a partir desse momento, tal igreja deixa de ser útil.
Sem o Cristo crucificado no seu púlpito, a igreja é um pouco melhor do que uma obstrução no chão, uma carcaça morta, um poço sem água, uma figueira que não dá frutos, um vigia dormindo, uma trombeta silenciosa, uma testemunha emudecida, um embaixador sem termos de paz, um mensageiro sem informações, um farol sem fogo, um obstáculo para fiéis fracos, um conforto para pagãos, uma cama quente para o formalismo, uma alegria para o diabo e uma ofensa a Deus. A doutrina do Cristo crucificado é o grande centro de união entre os verdadeiros cristãos. Nossas diferenças aparentes são muitas, sem dúvida: Um homem é anglicano, outro é presbiteriano, um é independente, outro é batista, um é calvinista, outro é arminiano, um é luterano, outro é irmão de Plymouth, um é amigo do Establishments, outro é amigo do sistema voluntário, um é amigo da liturgia, outro é amigo da oração improvisada, mas no fim de tudo, o que mais ouviremos sobre essas diferenças no céu?  Nada, muito provavelmente nada.
Um homem verdadeiramente se gloria na cruz de Cristo?
Essa é a grande questão.  Se sim, ele é meu irmão, andamos na mesma estrada, estamos caminhando em direção à casa onde Cristo é tudo, e tudo externo à religião será esquecido.  Entretanto, se ele não se gloria na cruz de Cristo, não posso me sentir confortável com ele.  União apenas nos pontos externos é uma união por  pouco tempo, mas união pela cruz é união para a eternidade.  Erro em questões externas é apenas uma doença superficial, erro sobre a cruz é uma doença no coração. União em pontos externos é uma mera união humana, união sobre a cruz de Cristo pode ser produzida apenas pelo Espírito Santo. Leitor, não sei o que você pensa sobre tudo isso.  Sinto como se metade do que desejo dizer-lhe sobre o Cristo crucificado não foi dito.  Mas espero tê- lo dado algo sobre o qual pensar.  Escute-me agora por alguns momentos, enquanto digo algo para aplicar todo o assunto na sua consciência.
Você está vivendo em algum tipo de pecado?
Você está seguindo o curso do mundo e negligenciando sua alma?  Escute, eu o imploro, o que lhe digo hoje: “Olhe para a cruz de Cristo.” Veja nela o quanto Jesus o amou! Veja o quanto Jesus sofreu para preparar-lhe o meio da salvação! Sim, homens e mulheres descuidados, foi por vocês que o sangue foi derramado, que essas mãos e pés foram perfurados com pregos e que esse corpo ficou pendurado agonizando na cruz!  Vocês são aqueles a quem Jesus amou e pelos quais morreu!  Certamente esse amor deve comovê-lo, certamente o pensamento da cruz deve levá-lo ao arrependimento.  Oh, que seja assim hoje!  Oh, que você viesse de uma vez a esse Salvador que morreu por você e está disposto a salvá-lo!  Venha e chore para Ele com oração e fé, e eu tenho certeza de que Ele ouvirá.  Venha e deite-se sobre a cruz, e eu sei que Ele não o lançará fora.  Venha e creia nEle, que morreu na cruz, e a partir desse dia você terá a vida eterna.
Você esta indagando o caminho para o céu?
Você está procurando salvação, mas duvida que a encontrará?  Você está desejando ter mais interesse em Cristo, mas duvidando se Ele o receberá?  Para você também eu digo isso: “Segura na cruz de Cristo”.  Aqui tem encorajamento, se você quiser.  Achegue-se ao Senhor Jesus com ousadia, pois nada deve mantê-lo atrás. Seus braços estão abertos para recebê-lo, Seu coração está cheio de amor por você.  Ele foi feito de tal forma que você pode se aproximar com confiança.  Pense na cruz.  Achegue-se e não tenha medo.
 
Você é um homem sem estudos?  Você anseia em ir para o céu, mas ainda está perplexo e foi levado a uma paralisação devido a dificuldades na Bíblia que você não consegue explicar?  Para você, eu digo isso hoje: “Olhe para a cruz de Cristo”. Leia nela o amor do Pai e a compaixão do Filho.  Certamente elas estão escritas em letras grandes e claras, impossível de serem mal interpretadas.  Por que, então, você está agora espantado com a doutrina da eleição?  Por que você não pode reconciliar sua própria corrupção com sua responsabilidade?  Olhe, afirmo, para a cruz. Será que essa cruz não lhe diz que Jesus é um Salvador poderoso, amoroso e preparado?  Não deixa claro que se você não for salvo, é por sua própria culpa?  Oh, apodere-se dessa verdade e apodere-se rápido!
Você é um cristão angustiado?  O seu coração está pressionado com doenças, provado com decepções, sobrecarregado com preocupações?  Para você também eu digo isso hoje: “Olhe para a cruz de Cristo”.  Analise qual mão é a que lhe castiga: observe qual mão mede por você o copo da amargura o qual agora bebe.  É a mão dEle que foi crucificado, é a mesma mão que, em amor por sua alma, foi pregada na cruz.  Claro que esse pensamento deveria confortá-lo e encorajá-lo.  Claro que você deveria dizer a si mesmo: “O Salvador crucificado nunca derramará sobre mim algo que não me seja bom.  Há um motivo para isso. E precisa ser bom.”
Você é um cristão lânguido?  Você já foi para a cama com algo por dentro lhe dizendo que nunca sairia dela vivo?   Você está se aproximando daquela hora solene em que alma e corpo partem por uma temporada e você deve lançar-se num mundo desconhecido?  Oh, olhe fixamente para a cruz de Cristo e você ficará em paz!  Mantenha os olhos da sua mente firmemente no Jesus crucificado e Ele o libertará de todos os seus medos.  Embora você ande por caminhos escuros, Ele estará convosco. Ele nunca o deixará, nunca desistirá de você.  Sente-se à sombra da cruz até o fim e seus frutos serão doces no seu paladar.  Existe apenas uma coisa indispensável no leito da morte, e essa é sentir o braço ao redor da cruz.  

Leitor, se você nunca ouviu sobre o Cristo crucificado antes desse dia, o que posso desejar-lhe de melhor é que você O conheça pela fé e descanse nEle através da salvação.  Se você O conhece, então que você O conheça ainda melhor a cada ano que viva, até que O veja face a face.



 FONTEs Traduzido de:  http://www.tracts.ukgo.com/calvary.doc http://www.tracts.ukgo.com/ryle_christ_crucified.doc  
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público
Tradução: Sara de Cerqueira  Revisão: Armando Marcos Pinto  
Bispo J.C.Ryle: anunciando a verdade evangélica   http://bisporyle.blogspot.com/ 
Reforma Radical

1 comentários:

Maah Ferrazys disse...

É verdade, devemos sim nos lembrar desse fato tão importante para o mundo: o sofrimento de nosso Salvador no calvário, pois foi através desse sofrimento que Ele nos deixou disponível a salvação eterna. Não é por obras que somos salvos, é pela graça, pelo sacrifício de Jesus Cristo. Isso é perfeito!
Parabéns por essa mensagem tão maravilhosa!

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