Esta é uma versão condensada do clássico de Martinho Lutero,
“A Escravidão da Vontade.” Publicada inicialmente em 1525

A escravidão da vontade parte III

Argumento 6: Não há lugar para qualquer ideia de mérito ou recompensa pelas boas obras.
Aqueles que pregam o “livre-arbítrio” afirmam que se não há “livre-arbítrio” então também não há lugar para o mérito ou para a recompensa. O que dirão os defensores do “livre-arbítrio” a respeito da palavra “gratuitamente”, em Romanos 3,24? Paulo diz que os crentes são justificados gratuitamente por sua graça”. Como interpretam “por sua graça”? Se a salvação é gratuita e oferecida pela graça divina, então não se pode conquista-la ou merecê-la. No entanto, Erasmo argumenta que a pessoa deve ser capaz de fazer alguma coisa a fim de merecer a sua salvação, ou ela não merecerá ser salva. Erasmo pensa que a razão pela qual Deus justifica uma pessoa e não outra, é que uma delas usou de seu “livre-arbítrio”, e tentou torna-se justa, enquanto que a outra não o fez. Ora, isso transforma Deus em alguém que diferencia pessoas, ao passo que que a Bíblia ensina que Deus não faz acepção de pessoas (Mt 10,34). Erasmo e algumas outras pessoas, como ele, admitem que os homens conseguem fazer muito pouco através de seu “livre-arbítrio” para obterem a salvação. Afirmam que o “livre-arbítrio” tem apenas um pouco de merecimento não é digno de muita recompensa. E, não obstante, ainda pensam que o “livre-arbítrio” torna possível às pessoas tentarem encontrar a Deus. Imaginam igualmente, que se as pessoas não tentam encontra-lo, cabe exclusivamente a elas a culpa, se não receberem a graça divina.

Portanto, sem importar se esse “livre-arbítrio” tem grande ou pequeno mérito, o resultado é o mesmo. A graça de Deus seria obtida por meio do “livre-arbítrio”. Todavia. Paulo nega toda a noção de mérito quando afirma que somos justificados “gratuitamente”.

Aqueles que dizem que o “livre-arbítrio” possui apenas um pequeno mérito erram tanto como aqueles que dizem que ele possui muito mérito, pois ambos ensinam que o “livre-arbítrio” tem mérito suficiente para obter o favor de Deus. Portanto, em quase coisa alguma diferem um do outro. Na verdade esses defensores da ideia do “livre-arbítrio” nos dão um perfeito exemplo do que significa “saltar da frigideira para dentro do fogo”. Quando eles dizem que o “livre-arbítrio” tem apenas um pequeno mérito, eles pioram a sua posição, ao invés de melhorá-la.

Pelo menos aqueles que dizem que o “livre-arbítrio” envolve um grande mérito (os chamados “pelagianos”) conferem um elevado preço a graça divina, porquanto concebem que um grande mérito é necessário para alguém obter salvação. Todavia, Erasmo barateia a graça divina, podendo ser obtida por meio de um débil esforço. No entanto, Paulo transforma em nada essas duas ideias usando apenas uma palavra “gratuitamente” (Rm 3:24). Mais adiante, em Romanos 11:6, ele assevera que nossa aceitação diante de Deus depende apenas da graça de Deus: “E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”.

O ensino paulino é perfeitamente claro. Não existe tal coisa como mérito humano aos olhos de Deus, sem importar se esse mérito é grande ou pequeno. Ninguém merece ser salvo através das obras. Paulo exclui todas as supostas obras do “livre-arbítrio”, estabelecendo em seu lugar apenas a graça divina. Não podemos atribuir a nós mesmos a menor parcela de credito para nossa salvação; ela depende inteiramente da graça divina.

Argumento 7: O “livre-arbítrio” não tem valor porque as obras nada tem a ver com a justiça do homem diante de Deus.
Passarei agora a considerar os argumentos de Paulo, em Romanos 4:2,3: “Porque se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça”. Ora, Paulo não nega que Abraão era um homem justo. Mas o ponto em questão é que essa justiça não lhe outorgou a salvação. Ninguém discorda que as obras más são aceitáveis diante de Deus. Isso é óbvio!

O argumento Paulino, entretanto, é que nem mesmo as boas obras nos tornam aceitáveis diante de Deus. Elas merecem somente a sua ira, jamais o seu favor. Em Romanos 4:4,5, Paulo contrasta a pessoa “que trabalha” com aquela que “não trabalha”. A justificação, que equivale a aceitação diante de Deus, não é atribuída “aquele que trabalha”, mas aquele que “não trabalha” mas aquele que crê no Senhor. Não há posição intermediaria.

Argumento 8: Um punhado de refutações.
Preciso mencionar, de passagem, mais alguns argumentos contra o “livre-arbítrio”. Mas me referirei a eles apenas de modo breve, embora cada um deles, de per si, pudesse destruir completamente a ideia do “livre-arbítrio”.

Por exemplo, a fonte da graça mediante a qual somos salvos é o proposito eterno de Deus. Isso sem dúvida anula a sugestão de que Deus é gracioso para conosco por causa de alguma coisa que possamos fazer.

Um outro argumento alicerça-se sobre o fato de que Deus prometeu a salvação por meio da graça (a Abraão), antes mesmo do Senhor haver dado a lei. Paulo argumenta, em Romanos 4:13,15, que se somos salvos mediante a observância da lei, através do “livre-arbítrio”, isso significa que a promessa da salvação pela graça foi cancelada. E a fé, igualmente, perderia o seu favor.

Paulo também nos diz que a lei pode apenas revelar o pecado, sendo incapaz de removê-lo. Visto que o “livre-arbítrio” só pode operar com base na observância da lei, não pode haver retidão aceitável diante de Deus obtida pelo “livre-arbítrio”.

Em último lugar, estamos todos debaixo da condenação divina, em face da pecaminosa desobediência de Adão. Estamos todos sujeitos a essa condenação, desde nosso nascimento, incluindo aqueles que são possuidores do “livre-arbítrio” se pessoas assim existem! De que outra forma então poderia o “livre-arbítrio” nos ajudar, senão a pecar e a merecer a condenação?

Eu poderia ter deixado de lado esses argumentos, apresentado tão-somente um comentário geral sobre os escritos de Paulo. Todavia, quis demonstrar quão ignorantes mediante são os meus oponentes, por deixarem de perceber com clareza essas simples questões. Deixo que meditem sozinhos a respeito desses argumentos.

Argumento 9: Paulo é absolutamente claro ao refutar o “livre-arbítrio”.
Os argumentos usados por Paulo são tão claros que é de admirar que alguém possa compreendê-los mal. Diz ele: “... todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer...” Estou admirado de fato que certas pessoas afirmam: “Algumas pessoas não se extraviaram, não se fizeram inúteis, não são más e nem pecadoras. Há alguma coisa no homem que o inclina para o bem”. Ora, Paulo não fez essas declarações em apenas algumas passagens isoladas. Algumas vezes ele as fez em termos positivos, em outras vezes, em termos negativos, usando palavras diretas ou utilizando contrastes. O sentido literal de suas palavras, todo o contexto e o escopo inteiro de seu argumento afunila-se neste pensamento: à parte da fé em Cristo nada existe senão pecado e condenação. Meus oponentes estão derrotados, ainda que não queiram se render! Porém, não está ao meu alcance convencê-los disso. Deixo isso à operação do Espírito Santo.

Argumento 10: O estado do homem sem o Espírito de Deus mostra que o “livre-arbítrio” nada pode fazer de natureza espiritual.
No trecho de Romanos 8:5, Paulo divide a humanidade em duas categorias aqueles que são “carne” (ou da natureza pecaminosa) e aqueles que não são do “Espírito” estão na carne e continuam presos à uma natureza pecaminosa. Paulo insiste que “...se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle” (Rm 8:9). Isso significa, obviamente, que aqueles que estão sem o Espírito pertencem a satanás. O “livre-arbítrio” não os tem beneficiado muito! Paulo afirma que “...os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8:8). Ele diz que “... o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rm 8:7). É impossível que tais pessoas possam fazer qualquer esforço, por conta própria, para agradar a Deus.

Um homem de nome Orígenes sugeriu que cada pessoa tem uma “alma” dotada da capacidade de voltar-se para a “carne” ou para o “Espírito”. Mas isso é apenas produto de sua imaginação. Ele sonhou com tal ideia! Ele não tinha qualquer prova para o que afirmava. Na verdade, não há posição intermediaria. Tudo que não provém do Espírito é carnal; e as melhores atividades da carne são hostis a Deus.

Trata-se do mesmo ensinamento ministrado por Cristo, em Mateus 7:18, de que uma arvore má não pode produzir bom fruto. E também está em harmonia com a dupla declaração de Paulo “O justo viverá por fé” (Rm 1:17), e “tudo o que não provem de fé é pecado” (Rm 14:23). Aqueles que não têm fé não estão justificados; e aqueles que não estão justificados são pecadores, nos quais qualquer suposto “livre-arbítrio” só pode produzir o mal. Portanto, o “livre-arbítrio” nada é senão um escravo do pecado, da morte e de Satanás. Tal “liberdade”, enfim, não é liberdade alguma.

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Fonte: http://youtu.be/UoPBYA8qDXA -  Canal  "Josemar Bessa"
Transcrição: Necilia Paula
Fonte: trovian.blogspot.com.br
Reforma Radical

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