John Newton
Então, não há tolo como o pecador, que prefere os brinquedos da terra à felicidade do céu, que é mantido em cativeiro pelos costumes do mundo, e tem mais medo das ameaças do homem, do que da ira de Deus. Mais uma vez, o homem em seu estado natural é uma besta, sim inferior aos animais que perecem. Em duas coisas ele se assemelha fortemente aos animais: em olhar não para nada mais elevado do que a gratificação sensual, e no espírito de egoísmo o leva a considerar a si mesmo e ao seu interesse próprio como seu adequado e mais alto fim; entretanto em muitos aspectos, ele afunda, infelizmente, abaixo deles.

As paixões não naturais e a falta de afeição natural para com os seus descendentes são abominações não encontradas entre a criação irracional. Que diremos das mães destruindo seus filhos com suas próprias mãos, ou do ato horrível de suicídio!? Semelhantemente, homens são piores do que anima-is em sua obstinação; eles não tomarão advertência. Se um animal foge de uma armadilha ele será cauteloso para não se aproximar dela novamente, e em vão se estende a rede à vista de qualquer ave, porém o homem, embora seja muitas vezes repreendido, endurece a cerviz e corre em direção à sua própria ruína com os olhos abertos, e pode desafiar a Deus em sua face e expor-se à condenação.

Mais uma vez, vamos observar como o homem se assemelha ao Diabo. Há pecados espi-rituais e estes, em sua proeminência, a Escritura nos ensina a julgar o caráter de Satanás. Cada característica nesta descrição é um forte traço no homem; por isso, então o que o Senhor disse aos Judeus é de aplicação geral: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” [João 8:44]. O homem se assemelha a Satanás em orgulho; esta criatura fraca e estúpida valoriza-se quanto à sua sabedoria, poder e virtude, e falará sobre ser salvo por suas boas obras; mas se ele pode, o próprio Satanás não precisa se desesperar.

Ele se assemelha a ele em malícia, e desta disposição diabólica muitas vezes procede o assassinato, e isto aconteceria diariamente se o Senhor não o restringisse. Ele deriva de Satanás, o espírito de ódio e inveja. Ele é frequentemente atormentado além do que se pode expressar por contemplar a prosperidade de seus vizinhos; e proporcionalmente satisfeito com suas calamidades, embora ele não obtenha nenhuma outra vantagem com isso além da gratificação deste princípio rancoroso. Ele expressa a imagem de Satanás em sua crueldade. Esse mal está ligado, até mesmo ao coração de uma criança.

A disposição para ter o prazer de provocar dor nos os outros aparece muito cedo. Crianças, se deixadas a si mesmas, desde cedo sentem prazer em torturar insetos e animais. Que miséria é que a crueldade gratuita de homens inflige a galos, cães, touros, ursos e outras criaturas, a ponto de aparentarem não terem sido formados para nenhum outro fim senão para deleitarem os seus espíritos selvagens com seus tormentos!

Se formamos nosso julgamento dos homens quando eles parecem mais satisfeitos, e não tendo nem raiva nem ressentimento para pleitear sua desculpa, é demasiado evidente, mesmo na natureza de suas diversões, quem eles são e a quem servem; e eles são os piores inimigos uns dos outros. Pense nos horrores da guerra, na ira dos de duelistas, nos morticínios e assassinatos com que o mundo está cheio, e então diga: “Senhor, que é o homem?” [Salmo 144:3]. Além disso, se o engano e a traição pertencem ao caráter de Satanás, então certamente o homem se assemelha ele. Não é a observação universal, e queixa de todas as idades, um comentário feito a respeito das palavras do profeta: “Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca, pois cada um caça a seu irmão com a rede” [Miquéias 7:5, 2].

Quantos neste momento têm motivos para dizer com Davi: “As palavras da sua boca eram mais macias do que a manteiga, mas havia guerra no seu coração: as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas” [Salmos 55:21]. Mais uma vez, como Satanás, os homens estão ansiosos em tentar outros a pecar; não contentes em condenar a si mesmos, eles empregam todas as suas artimanhas e influência para seduzir tantos quantos eles possam a lhes seguirem para a mesma destruição.

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Extraido do livro/ebook "Homens em Seu Estado Caído"
Autor: John Newton
Tradução: OEstandarteDeCristo.com
Reforma Radical

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