John Newton
Muitos dos que ouviram o Evangelho, uma ou algumas vezes, não irão mais ouvi-lo; ele desperta seu desprezo, o ódio e raiva. Eles derramam desprezo sobre a sabedoria de Deus, desprezam sua bondade, desafiam o seu poder; e eles próprios parecem expressar o espírito dos Judeus rebeldes, que disseram ao profeta Jeremias em sua face: “Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do Senhor, não obedeceremos a ti” [Jeremias 44:16]. Os ministros que pregam o Evangelho são contados como os homens que põem o mundo de cabeça para baixo; e as pessoas que o recebem, como tolos ou hipócritas. A palavra do Senhor é um fardo para eles, e eles a odeiam com um ódio perfeito. Quão fortemente a disposição do coração natural é manifestada pela confusão que muitas vezes ocorre nas famílias onde o Senhor se agrada em um ou dois daquela casa, enquanto o restante permanece em seus pecados! Professar, ou mesmo ser suspeito disso, ou aderir ao Evangelho de Cristo, é frequentemente considerado e tratado como o pior dos crimes, suficiente para anular os vínculos mais fortes da relação ou amizade. Os pais, após tal provocação, odiarão os seus filhos, e os filhos ridicularizarão seus pais; muitos concordam com a declaração de nosso Senhor, que a partir do momento em que um sentido do Seu amor tem envolvido seu coração para amá-lO mais uma vez, seus piores inimigos foram aqueles de sua própria casa; e que aqueles que expressaram o maior amor e carinho para com eles antes de sua conversão, agora dificilmente podem suportar vê-los.

A maior parte do povo, talvez continue a ouvir, pelo menos de vez em quando; e para aqueles que o fazem, o Espírito de Deus em geral, em um momento ou outro, é um teste-munho para a verdade: as suas consciências são atingidas, e por algum tempo eles creem e tremem. Mas qual é a consequência? Nenhum homem que tomou veneno procura mais intensamente ou rapidamente um antídoto, do que estes buscam fazer alguma coisa para abafar e sufocar suas convicções. Eles buscam as companhias para beber ou para qualquer outra coisa, buscando alívio contra a intrusão indesejável de pensamentos graves; e quando eles conseguem recuperar sua antiga indiferença, eles se alegram, como se tivessem escapado de algum grande perigo. O próximo passo é ridicularizar as suas próprias convicções; e junto a isso, se percebem algum conhecido com as impressões que ele teve, usam todas as artimanhas e empregam todos os esforções, para que possam torná-los tão obstinados como eles mesmos. Para este propósito, eles espreitam como um passarinheiro ao passarinho, lisonjeiam ou injuriam, tentam ou ameaçam; e se eles podem, prevalecem, e se são a ocasião de “endurecimento de qualquer um em seus pecados” eles se regozijam e triunfam como se considerassem isso como seu próprio interesse e a sua glória, a saber, ver a ruína das almas de seus semelhantes.

Por ouvirem frequentemente o Evangelho eles recebem mais luz, e são compelidos a saber, quer queiram que não, que a ira de Deus paira sobre os filhos da desobediência. Eles levam uma picada em suas consciências, e, por vezes, sentem-se os mais miseráveis, e não podem, mas gostariam que nunca tivessem nascido, ou que fossem cães ou sapos, ao invés de criaturas racionais. No entanto, eles se endurecem ainda mais. Eles se determinam a serem feliz e estarem sossegados, se obrigam a usar um sorriso enquanto a angústia está presa em seus corações. Eles blasfemam o caminho da verdade, por ver as falhas dos professos, e com uma alegria maliciosa publicam suas falhas e os ofendem. Eles veem, talvez, como o ímpio morre, mas não ficam alarmados; eles veem o justo morrer, mas não são comovidos. Nem providências, nem ordenanças, nem misericórdias, nem julgamentos podem pará-los, pois eles estão determinados a prosseguir e morrer com os olhos abertos, ao invés de se submeterem ao Evangelho.

Porém nem sempre eles rejeitam abertamente as verdades do Evangelho. Alguns que professam aprova-las e recebê-las, por este meio descobrem os males do coração do homem, se possível, em uma luz ainda mais forte. Eles fazem de Cristo um ministro do pecado, e transformam a Sua graça em libertinagem. Como Judas, eles dizem: “Eu te saúdo, Rabi!” E O traem. Este é o mais alto grau de iniquidade. Eles perverter todas as doutrinas do Evangelho, da eleição eles tiram uma desculpa para continuar em seus maus caminhos; e defendem a salvação sem as obras, porque não amam a obediência. Eles exaltam a justiça de Cristo, mas se opõem à santidade pessoal. Em uma palavra, porque eles ouvem que Deus é bom estão determinados a persistir no mal. “Senhor, que é o homem?”.

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Extraido do livro/ebook "Homens em Seu Estado Caído"
Autor: John Newton
Tradução: OEstandarteDeCristo.com
Reforma Radical

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