Cristo Exige um Novo Nascimento - John F. MacArthur

Nem todo aquele que se diz crente o é realmente. Incrédulos fazem falsas profissões de fé em Cristo, e aqueles que não são crentes verdadeiros podem ser iludidos, vindo a pensar que são salvos.

Este fato teria sido considerado como ponto pacífico há algumas décadas; hoje, não mais. O barateamento da graça e a fé fácil em um evangelho distorcido estão arruinando a pureza da Igreja. O abrandamento da mensagem do Novo Testamento trouxe consigo um inclusivismo putrefato que, com efeito, vê qualquer tipo de resposta positiva a Jesus como um equivalente para a fé salvadora. Os crentes de hoje estão dispostos a aceitar qualquer coisa, que não a rejeição aberta, como autêntica fé em Cristo. O evangelicalismo moderno desenvolveu um território largo e notável, que abriga até aqueles cuja doutrina é suspeita ou cujo comportamento denuncia corações rebeldes contra as coisas de Deus.

O evangelho que Jesus pregou não fomentava esse tipo de credulidade. Desde o início de seu ministério público, nosso Senhor evitou adesões rápidas, fáceis ou superficiais. Sua mensagem resultou em mais rejeição do que em aceitação entre os seus ouvintes, pois recusava-se a proclamar palavras de dessem a qualquer pessoa uma falsa esperança. Suas palavras, voltadas sempre para as necessidades do indivíduo, nunca deixaram de fazer murchar a auto-justiça dos que O procuravam, ou de pôr à mostra segundas intenções, ou de alertar quanto a uma fé falsa ou a um compromisso superficial.

O encontro de Jesus com Nicodemos em João 3 é um exemplo disto. Trata-se do primeiro encontro evangelístico pessoal de Jesus registrado nos evangelhos. Ironicamente Jesus, que tanto confrontou a falta de fé dos fariseus e seu antagonismo cabal, iniciou o seu ministério evangelístico atendendo a um líder fariseu que O procurou com uma declaração solene e entusiasmada. Poderíamos esperar que Jesus recebesse Nicodemos 

calorosamente e interpretasse a sua atitude positiva como uma profissão de fé, mas esse não foi o caso. Longe de encorajar Nicodemos, o Senhor Jesus, que conhecia a incredulidade e a auto-justiça existentes no coração dele, tratou-o como incrédulo.

Alguns têm esta passagem das Escrituras como uma declaração de como é fácil crer em Jesus Cristo.1 Esta não é, de forma alguma, a questão focalizada neste episódio. E verdade que aqui vemos esboçada a simplicidade do evangelho, porém Jesus não estava apresentando a este fariseu que se auto-justificava uma mensagem de fé fácil. Pelo contrário! O Senhor questionou tudo o que era vital para aquele homem. No decorrer do diálogo que tiveram, Jesus confrontou a fé espúria de Nicodemos, sua religião baseada em obras, sua retidão farisaica, e sua falta de conhecimento bíblico. O Salvador pediu nada menos do que regeneração completa. Sem o novo nascimento espiritual, disse a Nicodemos, nenhum homem tem qualquer esperança de vida eterna. Nicodemos ficou claramente chocado com as palavras de Jesus, e não há qualquer evidência nesta passagem de que a sua resposta imediata tenha sido positiva.

João incluiu o relato deste diálogo no correr da sua argumentação de que Jesus é Deus. O evangelho de João começa e termina com declarações da divindade de Jesus (1.1; 20.30,31), e quase tudo o que João escreve é um desdobramento desse tema. O encontro de Jesus com Nicodemos não é exceção. A narrativa flui diretamente de João 2.23-25, que diz que Jesus “conhecia a todos... porque Ele mesmo sabia o que era a natureza humana ’ ’. A história de Nicodemos prova a onisciência de Jesus, demonstrando a sua capacidade de ler o coração de Nicodemos. E ainda mais, confirma a divindade de Jesus, revelando que Ele é o Caminho da salvação (vv. 14- 17).

Nicodemos foi um dos descritos por João no final do capítulo 2, que creram porque viram os milagres de Jesus. Esse tipo de fé nada tinha a ver com a fé salvadora, como percebemos pelo testemunho de João de que “o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos” (2.24). Trata-se de uma afirmação clara quanto à ineficácia de uma fé artificial.2 Assim, Nicodemos é uma ilustração do que seja uma fé falsa — a sua mente, até certo ponto, aceitava a verdade de Cristo, porém o seu coração permanecia irregenerado. 

Nicodemos inicia a conversa com esta profissão de fé: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (3.2). Ele estava intrigado com Cristo. Sendo um líder religioso, Nicodemos obviamente manifestaria grande interesse em qualquer um que ele sentisse ter sido enviado por Deus. Ele tinha visto os milagres de Jesus, e sabia que Ele vinha de Deus. Há 400 anos não surgia um profeta, e Nicodemos provavelmente pensava que havia encontrado um. Talvez até considerasse a possibilidade de Jesus ser o Messias, porém ele ainda não via a Jesus como Deus encarnado.

Jesus, que “conhecia a todos” (2.24), compreendeu o que realmente estava no coração de Nicodemos. Ignorando aquela profissão de fé, Jesus respondeu a uma pergunta que Nicodemos nem mesmo fizera!

Sem confirmar, negar, refutar ou mesmo reconhecer a afirmação de que Ele viera de Deus, Jesus deu uma resposta que demonstrava a sua onisciência. Dessa forma, o Senhor confrontou Nicodemos com o fato de que ele não havia compreendido a verdade completa. Nicodemos não estava com um simples mestre enviado por Deus — estava em frente ao Deus encarnado! João 3.3 diz: “A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”

As palavras do Salvador chocaram Nicodemos (Jo 3.9). Não ignore este aspecto e nem menospreze o desafio de Jesus para este homem. A estratégia de Jesus ao testemunhar era “atingir o coração”, e Ele estabeleceu uma abordagem direta e confrontante nesse primeiro encontro. Nicodemos foi surpreendido pela resposta de Jesus, que incluía quatro verdades críticas que devem tê-lo espantado.

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Apenas uma pequena parte de livro "O EVANGELHO SEGUNDO JESUS",
por John F. MacArthur Jr.
Reforma Radical

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