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John Owen
O Espírito de Deus na regeneração da alma humana - John Owen

   A obra do Espírito de Deus na regeneração da alma dos homens deve ser analisada diligentemente pelos pregadores do evangelho e por todos a quem a Palavra é outorgada.

   Quanto aos pregadores, eles têm uma razão peculiar para atentarem a este dever, pois são usados e empregados nesta obra pelo Espírito de Deus, que os utiliza como instrumentos para a realização deste novo nascimento e vida. O apóstolo Paulo se intitulou pai daqueles que foram convertidos a Deus ou regenerados por meio da Palavra de seu ministério: “Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1 Co 4.15). Ele foi usado no ministério da Palavra para a regeneração daqueles crentes e, portanto, era seu pai espiritual; e somente ele o era, embora mais tarde o trabalho tenha sido levado adiante por outros.

   E, se homens são, no evangelho, pais de convertidos a Deus por meio do ministério pessoal deles, não há qualquer vantagem para alguém ter assumido, um dia, esse título se não teve qualquer envolvimento nessa obra, nem no seu sucesso. Assim, falando sobre Onésimo, que foi convertido por ele na prisão, Paulo o chama de seu filho, a quem havia gerado entre algemas (Fm 10). E declarou que isso lhe havia sido prescrito como o principal objetivo de seu ministério, que incluía a comissão de pregar o evangelho (At 26.17-18). Cristo disse-lhe: “Eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus”; essas palavras descrevem a obra que estamos considerando. Essa também é a principal finalidade de nosso ministério.

   Certamente, é dever dos ministros compreender, tanto quanto puderem, a obra com a qual estão ocupados, para que não trabalhem no escuro nem combatam de forma incerta, como homens que desferem golpes no ar. O que as Escrituras revelam sobre esta obra, a sua natureza e a maneira como se realiza, suas causas, efeitos, frutos, evidências — tudo isso eles devem analisar diligentemente. Ser espiritualmente habilitado nisso é a principal arma de qualquer um para a obra do ministério. Sem esta habilidade, ele nunca estará apto a manejar bem a Palavra nem a apresentar-se como obreiro que não tem de que se envergonhar. Contudo, é raro imaginarmos com que fúria e perversidade de espírito, com que expressões de zombaria toda esta obra é mal interpretada e exposta ao desprezo.

   Dizem a respeito daqueles que exercem esta função que eles “prescrevem longas e entediantes conferências de conversão, para declararem precisos e sutis processos de regeneração, visando encher a cabeça das pessoas com inúmeros medos e escrúpulos supersticiosos sobre os devidos graus da contrição piedosa, e os sintomas de uma humilhação completa”.1 Se algum erro quanto a essas coisas ou a prescrição de regras sobre a conversão a Deus e a regeneração pudesse ser atribuído a certas pessoas específicas que não são asseguradas pela Palavra da verdade; se tudo isso pudesse ser cobrado de pessoas em particular, não seria errado refletir sobre essas regras e refutá-las. Entretanto, a intenção dessas expressões é evidente, e a reprovação contida nelas é lançada na própria obra de Deus. E devo confessar que acredito na degeneração que se aparta da verdade e do poder do cristianismo, na ignorância das principais doutrinas do evangelho e no desprezo lançado, por meio destas e de expressões semelhantes, sobre a graça de nosso Senhor Jesus Cristo por aqueles que não somente se declaram ministros, e também declaram possuir um nível mais elevado que o dos outros, e que serão tristemente agourentos quanto a toda a situação da igreja reformada entre nós, se não forem reprimidos e corrigidos em tempo. Mas, no presente, o que afirmo sobre este assunto é:

1. O dever indispensável de todos os ministros do evangelho é inteirar-se totalmente com a natureza de seu trabalho, para que possam aquiescer à vontade de Deus e à graça do Espírito em sua realização na alma daqueles a quem ministram a Palavra. Também não podem cumprir seu trabalho e obrigação, de maneira correta, sem conhecimento apropriado dele. Se todos que os escutam nasceram mortos em delitos e pecados, se Deus os destinou para serem instrumentos de regeneração dessas pessoas, é uma loucura, da qual será necessário prestar contas um dia, negligenciar uma constante análise da natureza desta obra e dos meios pelos quais ela é realizada. A ignorância e a negligência quanto a esta necessidade, aliadas à carência de uma experiência do poder desta obra na alma deles é uma grande causa da falta de vida e do ministério não aproveitável entre nós.

2. Por semelhante modo, todos a quem a Palavra é pregada têm o dever de investigá-la. É para estes que o apóstolo fala: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13.5). A preocupação de todo cristão ou do que professa a religião cristã é provar e examinar em si mesmo a obra que o Espírito de Deus efetuou em seu coração. Ninguém o impedirá de fazer isso, exceto aqueles que desejam enganá-los e levá-los à perdição.

(1) A doutrina da obra de pregação nos foi revelada e ensinada: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). Não falamos em investigar ou informar-nos, com curiosidade, sobre as coisas ocultas, ou secretas, ou as ações encobertas do Espírito Santo. Falamos apenas sobre um esforço correto para pesquisar e compreender o ensino concernente a esta obra, tendo em vista esta finalidade: que possamos entendê-la.

(2) É muito importante para todos os nossos deveres e confortos que tenhamos um entendimento apropriado da natureza da obra de pregação e de nosso próprio interesse nela. A análise de ambas essas coisas não pode ser negligenciada sem a maior insensatez; a isso podemos acrescentar:

(3) O perigo de que os homens sejam enganados quanto ao assunto da regeneração, ou seja, a base sobre a qual se firmam e dependem o seu estado e condição eternos. É certo que, no mundo, muitos se enganam neste assunto; evidentemente, vivem num destes erros perniciosos: a) que os homens vão para o céu ou que podem “entrar no reino de Deus” sem nascer de novo, o que é contrário ao que nosso Salvador disse (Jo 3.5). b) Outro erro é o pensamento de que os homens podem nascer de novo e continuarem vivendo no pecado, mas isso contradiz 1 João 3.9.

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John Owen
A Obra do Espírito Santo na Regeneração - John Owen 

A obra do Espírito Santo na regeneração de almas precisa ser estudada e claramente compreendida pelos pregadores do evangelho, e por todos aqueles a quem a Palavra de Deus é pregada. É pelos verdadeiros pregadores do evangelho que o Espírito Santo regenera as pessoas (lCo.4:15; Fm.10; At.26: 17,18). Por isso, todos aqueles que pregam o evangelho precisam conhecer totalmente a regeneração para que possam com Deus e o Seu Espírito trazer almas ao “novo nascimento”. É também dever de todos os que ouvem a Palavra de Deus estudar e entender a regeneração (2Co.13:5).

O grande trabalho do Espírito Santo é a obra de regeneração (Jo.3:3-6). Certa noite Nicodemus, um mestre de Israel, veio até Jesus, que lhe disse: “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (...) O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. O nosso Senhor tendo o conhecimento de que a fé e a obediência a Deus, e a nossa aceitação da parte de Deus, dependem de um novo nascimento, fala a Nicodemus do quão necessário é nascer de novo. Nicodemus fica surpreso com isso, e assim Jesus segue adiante a ensinar-lhe que obra de regeneração é esta. Ele diz: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (v.5).

A regeneração, portanto, ocorre por meio “da água e do Espírito”. O Espírito Santo faz a obra de regeneração na alma do homem, da qual a água é o sinal exterior. Este símbolo externo é um solene compromisso e selo do pacto que até então lhes vinha sendo anunciado por João Batista. A água pode também significar o próprio Espírito Santo.

João nos fala que todos aqueles que receberam a Cristo só o fizeram por terem nascido de Deus (Jo. 1:12,13). Nem a hereditariedade, nem a vontade do homem podem produzir um novo nascimento. A obra como um todo é atribuída tão-somente a Deus (veja também Jo.3:6; Ef.2:1,5; Jo.6:63; Rm.8:9,10; Tt.3:4-6).

É sempre importante lembrar que toda a Trindade está envolvida nesta obra de regeneração. Ela se origina na bondade e no amor de Deus como Pai (Jo.3:16; Ef.1:3-6), da Sua vontade, propósito e conselho. É uma obra do Seu amor e graça. Jesus Cristo nosso Salvador a adquiriu para pecadores (Ef. 1:6). Mas o verdadeiro “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” nas nossas almas é obra do Espírito Santo (Tt.3:4-6).

Todavia o meu presente objetivo é confirmar os princípios fundamentais da verdade concernente a essa obra do Espírito Santo que vêm sendo negados e combatidos.

A REGENERAÇÃO NO VELHO TESTAMENTO

No Velho Testamento a obra de regeneração ocorria desde a fundação do mundo, e foi registrada nas Escrituras. Contudo o seu conhecimento era muito vago comparado ao conhecimento que temos dela no evangelho.

Nicodemus, um importante mestre de Israel, declarou a sua ignorância quanto a isso. “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”. Cristo maravilhou-se de que um mestre de Israel não conhecesse esta doutrina da regeneração. Estava nitidamente declarado nas promessas especificas do Velho Testamento, como também em outras passagens (conforme veremos), que Deus haveria de circuncidar os corações do Seu povo, tirar-lhes o coração de pedra e dar-lhes um coração de carne. Em sua ignorância os mestres de Israel imaginavam que a regeneração significava apenas uma reforma de vida. De modo semelhante muitos hoje consideram a regeneração como nada mais que o esforço para se levar uma vida moral. Mas se a regeneração significar nada mais do que se tornar um novo homem moral — algo a que todos, tanto mais ou menos, recomendam — dessa forma o nosso Senhor Jesus Cristo, bem mais do que esclarecer a Nicodemus sobre esta questão, a obscureceu mais ainda.

O Novo Testamento ensina claramente que o Espírito Santo faz uma obra secreta e misteriosa nas almas dos homens. Agora, se esta obra secreta e misteriosa for na verdade apenas uma reforma moral que capacita os homens a viverem melhor, se for apenas um convencimento externo para abandonar o mal e se fazer o bem, então, a doutrina da regeneração ensinada por Cristo e todo o Novo Testamento, é definitivamente incompreensível e sem sentido.

A regeneração e a doutrina da regeneração existiram no Velho Testamento. Os eleitos de Deus, de qualquer geração, nasceram de novo pelo Espírito Santo. Mas antes da vinda de Cristo, todas as coisas dessa natureza, estavam “desde o princípio do mundo, ocultas em Deus” (Ef.3:9 — tradução literal NKJV).

Mas agora chegou o grande médico, aquele que haveria de curar a terrível ferida das nossas naturezas pela qual estávamos mortos em nossos “delitos e pecados”. Ele abre a ferida, mostra-nos o quão é terrível e revela a situação de morte que ela trouxe sobre nós. Ele assim o faz para que sejamos verdadeiramente agradecidos quando nos curar. Assim pois, nenhuma doutrina é mais completa e claramente ensinada no evangelho do que esta doutrina da regeneração.

Quão corrompidos, portanto, são os que a negam, desprezam e rejeitam.

A CONSTANTE OBRA DO ESPÍRITO

Os eleitos de Deus não eram regenerados de uma maneira no Velho Testamento e de outra completamente diferente, pelo Espírito Santo, no Novo Testamento. Todos eram regenerados de um mesmo modo pelo mesmo Espírito Santo. Aqueles que foram milagrosamente convertidos, como Paulo, ou que em suas conversões lhes foram concedidos dons miraculosos, como muitos dos cristãos primitivos, não foram regenerados de um modo diferente de nós mesmos, que também temos recebido esta graça e privilégio.

Os dons miraculosos do Espírito Santo nada tinham a ver com a Sua obra de regeneração. Não eram a comprovação de que alguém havia sido regenerado. Muitos dos que possuíram dons miraculosos jamais foram regenerados; outros que foram regenerados jamais possuíram dons miraculosos.

É também o cúmulo da ignorância supor que o Espírito Santo no passado regenerava pecadores miraculosamente, mas que agora Ele não o faz de modo milagroso, mas por persuadir-nos que não é razoável que não nos arrependamos dos nossos pecados.

Jamais cairemos neste erro se considerarmos o seguinte:

a) A condição de todos os não-regenerados é exatamente a mesma. Uns não são mais não-regenerados que outros. Todos os homens são inimigos de Deus. Todos estão sob a Sua maldição (Sl.51:5;Jo.3:5, 36; Rm.3:19; 5:15-18; Ef.2:3; Tt.3:3,4).

b) Há variados níveis de malignidade nos não-regenerados, assim como há diversos níveis de santidade entre os regenerados. Todavia o estado de todos os não-regenerados -é o mesmo. Todos carecem de que se faça neles a mesma obra do Espírito Santo.

c) O estado a que os homens são trazidos pela regeneração é o mesmo. Nenhum é mais regenerado do que outro, contudo uns podem ser mais santificados que outros. Aqueles gerados por pais naturais nascem de um mesmo modo, embora alguns logo superem os outros em perfeições e habilidades. O mesmo também ocorre com todos os que são nascidos de Deus.

d) A graça e o poder pelos quais esta obra de regeneração é operada em nós são os mesmos. A verdade é que aqueles que desprezam o novo nascimento, fazem-no porque desprezam a nova vida. Aquele que odeia a idéia de viver para Deus, odeia a idéia de ser nascido de Deus. No final, entretanto, todos os homens serão julgados por esta pergunta: “Você nasceu de Deus?”.

A COMPREENSÃO ERRADA SOBRE A REGENERAÇÃO

Em primeiro lugar regeneração não é meramente ser batizado e dizer: “eu me arrependi”. A água do batismo é apenas um sinal externo (lPe.3:21). A água mesmo só pode molhar e lavar alguém da “imundícia da carne”. Mas como um sinal exterior ela significa “uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (lPe.3:21. Veja Hb.9:14; Rm.6:3-7). O apóstolo Paulo faz claramente a distinção entre a ordenança exterior e o ato de regeneração em si mesmo (Gl.6:15). Se batismo acompanhado de confissão de arrependimento for regeneração, então todos aqueles que foram batizados e se confessaram arrependidos têm de ser regenerados. Mas é claro que isso não é assim (veja At.8: 13 com os vv. 21, 23).

Em segundo lugar a regeneração não é uma reforma moral da vida exterior e do comportamento. Por exemplo, suponhamos uma tal reforma exterior pela qual alguém volta-se de fazer o mal para fazer o bem. Deixa de roubar e passa a trabalhar. Não obstante, haja o que houver de justiça real nessa mudança moral exterior de comportamento, ela não procede de um novo coração e de uma nova natureza que ama a justiça. É tão-somente pela regeneração que um corrupto e pecaminoso inimigo da justiça pode ser trazido a amá-la e a deleitar-se em praticá-la. Há os que escarnecem da regeneração como sendo inimiga da moralidade, justiça e reforma, mas um dia hão de descobrir o quanto estão errados.

A idéia de que a regeneração nada mais é do que uma reforma moral da vida, procede da negação do pecado original e do fato de sermos maus por natureza. Se não fôssemos maus por natureza, se fôssemos bons no fundo do nosso coração, então não haveria necessidade de nascermos de novo.

A REGENERAÇÃO NÃO PRODUZ EXPERIÊNCIAS SUBJETIVAS.

A regeneração nada tem a ver com enlevos extraordinários, êxtases, ouvir vozes celestiais ou com qualquer outra coisa do tipo. Quando o Espírito Santo faz a Sua obra de regeneração nos corações dos homens, Ele não vem sobre eles com grandes e poderosos sentimentos e emoções aos quais não podem resistir.

Ele não se apodera dos homens como os maus espíritos se apossam das suas vitimas. Toda a Sua obra pode ser racionalmente compreendida e explicada por todo aquele que crê na Escritura e recebeu o Espírito da verdade que o mundo não pode receber. Jesus disse a Nicodemus: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai”, assim é com a obra de regeneração do Espírito Santo.

A NATUREZA DA REGENERAÇÃO

Regeneração é colocar na alma uma nova lei de vida que é verdadeira e espiritual, que é luz, santidade e justiça, que leva à destruição de tudo o que odeia a Deus e luta contra Ele. A regeneração produz uma milagrosa mudança interior do coração. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura”. A regeneração não se dá pelos sinais exteriores de uma mudança moral do coração e é muito distinta deles (Gl.5:6; 6:15).

A regeneração é um ato onipotente de criação. Um novo princípio ou lei é criado em nós pelo Espírito Santo (Sl.51:10; Ef.2:10). Esta nova criação não é um novo hábito formado em nós, mas uma nova capacidade e faculdade. É chamada, portanto, de “natureza divina” (2Pe. 1:4). Esta nova criação é o revestir de uma nova capacidade e faculdade criada em nós por Deus e que traz a Sua imagem (Ef.4:22-24).

A regeneração renova as nossas mentes. Ser renovado no espírito de nossas mentes significa que as nossas mentes possuem agora uma nova e salvadora luz sobrenatural que as capacita a pensarem e a agirem espiritualmente (Ef.4:23; Rm.12:2). O crente é renovado em “conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl.3:10).

O NOVO HOMEM

Esta capacidade e faculdade nova produzida em nós pela regeneração é chamada de “novo homem”, porque envolve uma completa e total mudança da alma, de onde procede toda ação espiritual e moral (Ef.4:24). Este “novo homem” é contraposto ao “velho homem” (Ef.4:22,24). Este “velho homem” é a nossa natureza humana corrompida que tem a capacidade e faculdade de produzir pensamentos e atos malignos. O “novo homem” está capacitado e habilitado a produzir atos religiosos, espirituais e morais (Rm.6:6). Denomina-se de “novo homem” porque é uma “nova criação de Deus” (Ef.l:19; 4:24; Cl.2:12, 13; 2Ts.1:11).

Este “novo homem” é criado de imediato, num átimo. É por isso que a regeneração não pode ser uma mera reforma de vida, que é o trabalho de toda uma vida (Ef.2:10). É a obra de Deus em nós que antecede todas as nossa obras para com Deus. Somos feitura de Deus, criados para produzir boas obras (Ef.2: 10).

Assim pois não podemos produzir boas obras aceitáveis a Deus sem que primeiro Ele produza esta nova criação em nós. Está dito que este “novo homem” é “criado segundo Deus [i.e., à Sua imagem], em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef.4:24). A imagem de Deus no primeiro homem não foi uma reforma de vida. Nem foi um padrão de bom proceder. Adão foi criado à imagem de Deus antes que fizesse qualquer boa obra. Esta imagem de Deus era a capacidade e faculdade dada a Adão para viver uma vida tal que manifestasse verdadeiramente o caráter santo e justo de Deus. Tal capacidade e faculdade foi dada a Adão antes mesmo dele começar a viver para Deus. É verdadeiramente indispensável que o mesmo ocorra também conosco. Primeiro, a imagem de Deus, a qual é o “novo homem”, é novamente criada em nós. Então podemos começar mais uma vez a apresentar em nossas vidas o caráter santo e justo de Deus (Lc.6:43; Mt.7:18).

A ALIANÇA DE DEUS

Deus já nos tem dito como nos trata em Sua aliança (Ez.36:25-27; Jr.31:33; 32:39,40). Ele primeiro lava e limpa a nossa natureza; arranca o nosso coração de pedra e dá-nos um coração de carne; escreve as Suas leis em nossos corações e coloca o Seu Espírito em nós para nos capacitar a guardar essas leis. É isso o que significa regeneração. Que também é descrita como o santificar, o tornar santo todo nosso espírito, alma e corpo (lTs.5:23).

COMPROVADO PELA ESCRITURA

O Espírito Santo não opera de qualquer outro modo senão por aquilo que nos mostra a Escritura. Tudo que alega ser obra de regeneração Sua, precisa ser comprovado pela Escritura. O Espírito Santo, por ser onisciente, conhece as nossas naturezas perfeitamente, e por isso sabe com exatidão como operar nelas sem as ferir ou danificar, sem forçá-las de modo algum a concordar com a Sua vontade.

A pessoa ao ser regenerada, jamais, em momento algum, sente que está sendo malignamente forçada contra a sua vontade. A despeito disso, muitos que são verdadeiramente regenerados têm sido tratados pelo mundo como se fossem loucos, ou algum tipo de fanático religioso (2Rs.9:11; Mc.3:21; At.26:24, 25).

A obra do Espírito Santo na regeneração de almas precisa ser estudada e claramente compreendida pelos pregadores do evangelho, e por todos aqueles a quem a Palavra de Deus é pregada. É pelos verdadeiros pregadores do evangelho que o Espírito Santo regenera as pessoas (lCo.4:15; Fm.10; At.26: 17,18). Por isso, todos aqueles que pregam o evangelho precisam conhecer totalmente a regeneração para que possam com Deus e o Seu Espírito trazer almas ao “novo nascimento”. É também dever de todos os que ouvem a Palavra de Deus estudar e entender a regeneração (2Co.13:5).

A regeneração foi-nos revelada por Deus (Dr.29:29). Assim pois não estudar nem tentar compreender esta grande obra é revelar a nossa própria estultícia e loucura. Enquanto não tivermos nascido de Deus nada poderemos fazer que Lhe agrade, nem obtemos dEle quaisquer consolações, e nada somos capazes de entender a Seu respeito ou sobre o que Ele está realizando no mundo.

Há o grande perigo de que os homens possam estar enganados quanto à regeneração e que estejam, portanto, eternamente perdidos. Crendo erroneamente que podem obter o céu sem que lhes seja necessário nascer de novo, ou que havendo nascido de novo podem continuar a levar uma vida pecaminosa. Tais opiniões contradizem claramente o ensinamento do nosso Senhor e dos apóstolos (Jo.3:5; 1Jo.3:9).


Fonte: Jornal Os Puritanos – Ano X – No 04 – Out./Nov./Dez./2002 
(Extraído do Livro “O Espírito Santo”, do teólogo puritano John Owen (O Príncipe dos Puritanos), publicado pela Banner Of Truth, cap 8, pg 43-51. 
Adaptado das suas obras para uma linguagem contemporânea por R.J.K. Law.)

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John Owen
John Owen (1616-1683): teólogo, pregador, erudito e autor de diversos e volumosos tratados e livros teológicos. Conhecido como “O Príncipe dos Puritanos”, era congregacionalista  e exerceu um papel de destaque na elaboração da Declaração de Savóia. Nascido em Oxfordshire, na Inglaterra, recebeu seu treinamento acadêmico pela universidade Oxford, da qual veio a tornar-se o vice-reitor. Era casado com Mary Rooke, com quem teve 11 filhos.

Use a fé em Cristo para matar o seu pecado. O sangue de Cristo é o grande e supremo remédio para almas enfermadas pelo pecado. Viva nisso e, assim, você morrerá vencedor; sim, pela boa providência de Deus, você verá a sua concupiscência morta aos seus pés.

Mas você perguntará: “Como a fé em Cristo pode agir para atingir esse propósito e objetivo?” Eu respondo de várias maneiras:

(1) Pela fé, encha a sua alma com a devida consideração da provisão que há em Jesus Cristo para cumprir esse propósito e objetivo, a fim de que todas as suas concupiscências sejam mortificadas, as concupiscências com as quais você está enredado. Pela fé, pondere isto: embora você não seja, de modo algum, capaz de obter a vitória sobre o seu pecado, estando já fatigado de lutar e pronto a desistir, em Cristo há o suficiente para lhe dar livramento (Fp 4.13)... Em sua maior angústia e aflição, pense na plenitude de graça, nas riquezas, nos tesouros de força, poder e ajuda que estão em Cristo para ampará-lo (Jo 1.16; Cl 1.19). Permita que essas verdades encham sua mente e permaneçam ali. Considere o fato de que Cristo foi exaltado e feito Príncipe e Salvador para dar arrependimento a Israel (At 5.31); e, se ele foi exaltado para dar arrependimento, isso significa dar também a mortificação, sem a qual o arrependimento não tem razão de ser. Cristo nos diz que obtemos a graça purificadora por permanecermos nele (Jo 15.3).

Exercer a fé na plenitude de Cristo, ou seja, em Cristo, para o nosso suprimento é uma maneira valiosa de permanecer em Cristo, pois tanto o nosso enxerto como a nossa permanência acontecem pela fé (Rm 11.19-20). A sua alma deve, então, pela fé ser exercitada em pensamentos e compreensões como estes: “Sou pobre e fraco, instável como a água. Não posso melhorar. Esta corrupção é muito forte para mim e está prestes a arruinar minha alma. Não sei o que fazer. Minha alma está se tornando um solo ressecado e uma habitação de dragões. Tenho feito promessas, mas deixei de cumpri-las; votos e juramentos me têm sido como nada. Já tive muitas convicções de que eu obtivera a vitória e seria livrado, mas estava enganado. Vejo claramente que, sem socorro e ajuda eminente, estou perdido e serei induzido a um completo abandono de Deus. No entanto, ainda que este seja o meu estado e condição, restabeleçam-se as mãos descaídas e fortaleçam-se os joelhos trôpegos. Vejam, o Senhor Jesus Cristo, que possui toda a plenitude de graça em seu coração, toda a plenitude de poder em suas mãos, é capaz de aniquilar todos esses seus inimigos. Nele há provisão suficiente para meu livramento e necessidade. Ele pode tomar a minha alma prostrada e desfalecida e tornar-me mais do que vencedor... Pode transformar meu solo árido e ressecado em lagos e meu coração sedento e estéril, em fontes de água. Sim, Cristo pode fazer desta habitação de dragões, este coração, tão cheio de concupiscências abomináveis e tentações ferozes, um lugar de ervas e frutos para ele mesmo (Is 35.7)”.

Deus sustentou Paulo em suas tentações com a consideração da suficiência da graça divina: “A minha graça te basta” (2 Co 12.9)... Digo, então, pela fé considere bastante o suprimento e a plenitude de suprimento que há em Jesus Cristo e como ele pode dar-lhe, em qualquer momento, força e livramento...

(2) Pela fé, erga seu coração a uma expectativa de livramento da parte de Cristo. Tal livramento é, nesse caso, semelhante à visão do profeta: “Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará” (Hc 2.3). Embora lhe pareça distante, enquanto você está sob o peso de aflição e perplexidade, o livramento virá certamente no tempo designado do Senhor Jesus, que é a melhor ocasião. Se você erguer seu coração a uma firme expectativa de livramento da parte de Cristo... sua alma ficará satisfeita. Sem dúvida alguma, ele o livrará. Destruirá a concupiscência, e, por fim, você gozará paz. Olhe somente para o livramento que há em Cristo. Espere quando e como Ele o realizará. “Se o não crerdes, certamente, não permanecereis” (Is 7.9)... Todas as nossas expectativas quanto a esse propósito não devem estar em Cristo? Fixe isto em seu coração: se você não obtiver livramento da parte de Cristo, jamais o obterá. Todas as atitudes, esforços, lutas que não são motivadas pela expectativa de livramento da parte de Cristo, somente de Cristo, são inúteis e não lhe farão bem algum... Para que você se engaje nessa expectativa:

(1) Considere a misericórdia, a ternura e a bondade daquele que é nosso grande Sumo Sacerdote, que está à direita de Deus. Ele se compadece de você em sua aflição. Ele disse: “Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei” (Is 66.13). Ele possui a ternura de uma mãe para com um filho que mama. “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.17-18). Em face dos seus sofrimentos, qual é a capacidade de Cristo tencionada para nós? “Naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso”... Ele é poderoso, havendo sofrido e sido tentado, para destruir todas as persuasões contrárias e livrar as almas aflitas e tentadas. “Ele... é poderoso para socorrer”. Havendo sido tentado, ele pode ajudar-nos.

Considere também Hebreus 4.15-16: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. A exortação no versículo 16 tem o mesmo sentido do que estou sugerindo, ou seja, que alimentemos expectativas de livramento da parte de Cristo, que o apóstolo chama de “graça para socorro em ocasião oportuna”. “Se o socorro é sempre oportuno”, diz a alma, “ele é apropriado à minha situação presente. Isto é exatamente o que anseio – graça para socorro em ocasião oportuna. Estou quase para morrer, a perecer, a perder-me para sempre. A iniqüidade prevalecerá conta mim, se eu não tiver ajuda”. O apóstolo disse: “Espere esta ajuda, este livramento, esta graça da parte de Cristo!” Sim, mas com base no quê? Aquilo que ele afirma no versículo 15... Eu digo francamente: este assunto de firmar a alma pela fé na expectativa de livramento da parte de Cristo, com base em sua misericórdia como nosso Sumo Sacerdote, será mais proveitoso à ruína e ao pecado de sua alma e terá um efeito melhor e mais imediato do que todos os meios mais rígidos de penitência em que se engajou qualquer dos filhos dos homens. Sim, permita-me dizer também isto: nunca uma alma que chegou pela fé à expectativa de livramento em Cristo Jesus pereceu devido ao poder das concupiscências, do pecado ou da corrupção.

(2) Considere a fidelidade daquele que prometeu: ele o erguerá e o confirmará neste esperar com expectativa de livramento. Ele prometeu livrar nesses casos e cumprirá cabalmente a sua palavra. Deus nos diz que sua aliança conosco é como as “leis fixas” do céu – o sol, a luz e as estrelas – que têm seu curso certo (Jr 31.36). Por isso, Davi exclamou que aguardava o livramento de Deus como alguém que vigia pelo romper da manhã (Sl 130.6) – algo que certamente acontecerá no tempo designado. Assim será o seu livramento da parte de Cristo. Virá no seu tempo, como o orvalho e a chuva que caem sobre a terra ressecada; pois fiel é aquele que prometeu.. Quem espera algo dos homens aplica-se a maneiras e meios pelos quais pode obtê-lo. O mendigo que espera uma esmola se coloca à porta ou no caminho de quem ele espera recebê-la. A maneira e o meio pelos quais Cristo transmite a si mesmo são as ordenanças regulares. Aquele que espera receber algo de Cristo precisa encontrá-lo nas ordenanças. É a expectativa da fé que faz o coração agir. Não estou falando sobre uma esperança ociosa e infundada. Se há virtude, eficácia e poder na oração ou nas ordenanças para atingir o objetivo de mortificar o pecado, devemos nos interessar em tudo isso por meio da expectativa de livramento da parte de Cristo... Que pessoa tem andando com Deus, em meio a tentações, e não tem achado utilidade e eficácia nesses meios? Ouso levar a alma ao desfrute dessas coisas, sem acrescentar nada mais. Preciso mencionar somente algumas particularidades a respeito desse assunto:

Primeiro, exerça fé especialmente na morte, no sangue e na cruz de Cristo, ou seja, no Cristo crucificado e morto. A mortificação do pecado se dá, peculiarmente, com base na morte de Cristo. A mortificação do pecado é um dos objetivos específicos, sim, eminentes, da morte de Cristo, um objetivo que será realizado por ela. Cristo morreu para destruir as obras do Diabo. Tudo que veio à nossa natureza como resultado da primeira tentação, tudo que obtém força em nossa pessoa pelas sugestões diárias do pecado, Cristo morreu para destruir tudo isso. “O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). Esse era seu alvo e intento – no qual ele não falhará – ao dar-se a si mesmo por nós. O desígnio de Cristo era que fôssemos livres do poder de nossos pecados e purificados de todas as nossas paixões corruptoras. “Como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.25-27). E isso, por virtude de sua morte, será realizado em vários e diferentes graus. Portanto, nosso lavar, limpar e purificar é, em muitas passagens, atribuído ao sangue de Cristo (1 Jo 1.7; Hb 1.3; Ap 1.5). Esse sangue, aspergido sobre nós, purifica nossa consciência de “de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo” (Hb 9.14). Isto é o que almejamos, o que buscamos: que nossa consciência seja purificada de obras mortas, para que estas sejam extirpadas, destruídas e não tenham mais lugar em nós. Isso será realizado pela morte de Cristo, na qual há virtude para cumprir esse propósito.

De fato, todos os suprimentos do Espírito, todas as comunicações de graça e poder procedem da morte de Cristo... Por isso, o apóstolo pergunta: “Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6.2). Mortos para o pecado por confissão; mortos para o pecado por dever de sermos assim; mortos para o pecado por participação na virtude e poder capaz de matá-lo; mortos para o pecado por união  e interesse em Cristo, no qual e pelo qual o pecado é morto – como vivermos no pecado?... “Porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?” (Rm 6.3). Temos no batismo uma evidência de nossa implantação em Cristo; somos batizados nele. Mas, em que benefício de Cristo somos batizados? “Em sua morte”, disse o apóstolo. Se somos batizados em Cristo, além da mera confissão exterior, somos batizados em sua morte. A explicação disso, de sermos batizados em Cristo, o apóstolo nos dá: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.4)... A intenção do apóstolo era esta: Cristo, por sua morte – destruindo as obras do Diabo e obtendo o Espírito para nós – aniquilou de tal modo o pecado, quanto ao seu reino no crente, que o pecado não conseguirá seus objetivos e não exercerá seu domínio.

Segundo, exerça a fé na morte de Cristo, considerando estes dois conceitos: primeiro, em expectativa de poder; segundo, em esforços por conformidade... Permita que a fé olhe para Cristo no evangelho, que o apresenta crucificado e morto por nós. Olhe para ele carregando o fardo de nosso pecado, orando, sangrando, morrendo; pela fé, traga-o nessa condição ao seu coração. Faça isso diariamente.

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Traduzido por: Wellington Ferreira

Traduzido do original em inglês: Directions for Mortification, extraído de “The Mortification of Sin in Believers”, da obra “Works of John Owen, Vol. 6”, reimpressa por The Banner of Truth.

Reforma Radical

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