Temos traçado a história da revelação especial desde o tempo de Adão até a sua consumação em Cristo Jesus. O lugar dos apóstolos na palavra final de Deus foi explicado. Então qual é a implicação de tudo isso para nós que, nos dias de hoje, desejamos ouvir a Deus?

Sola Scriptura” é uma expressão cunhada durante a Reforma que significa “somente a Escritura”. A intenção dessa frase era afirmar que apenas a Escritura é a fonte de revelação para os cristãos pós-apostólicos. Cremos que um verdadeiro entendimento da história da revelação especial nos leva a essa crença. Dizer que Cristo é a palavra final da parte de Deus é dizer que “a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática”.
Ao explicar a verdade de “Sola Scriptura”, há alguns pontos aos quais devemos nos referir:
1. “Sola Scriptura” é uma afirmação da suficiência da Bíblia como guia espiritual. Como revelação ela não precisa de quaisquer acréscimos. Isto é frequentemente declarado nas Escrituras:
“E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça;
Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” II Timóteo 3:15-17
“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” Salmos 119:105
2. “Sola Scriptura” é uma afirmação da completude da Escritura. Isto está logicamente conectado à suficiência da Bíblia. Aquilo que é suficiente não precisa de acréscimos. A velha aliança prometia uma nova aliança. Quando Cristo trouxe esta nova aliança, trouxe a palavra final de Deus:
“Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” João 1:17
Não há uma aliança mais nova além de Cristo. Os Cristãos que têm uma Bíblia completa não esperam e nem precisam de qualquer outra palavra da parte de Deus. Somar algo ao registro apostólico é adicionar algo às revelações que Deus deu por seu Filho. Fazer isso é negar a plenitude e a integralidade de Jesus, a “Palavra”.
Conectado à integralidade das Escrituras está o fato de a Bíblia ter duas divisões principais. Lembrando de que a história da revelação especial tem duas divisões principais, é exatamente como esperaríamos. Tanto Cristo como os judeus ortodoxos aceitavam os primeiros 39 livros da Escritura como um registro inspirado da primeira aliança[1]. Não é de se surpreender então que com a vinda de Cristo, e com uma nova aliança, um novo conjunto da Escritura viesse a emergir. E o caso foi este mesmo. Nos tempos apostólicos, à medida que os livros do Novo Testamento eram produzidos, os mesmos eram reconhecidos como tendo igual autoridade à Escritura da velha aliança[2]. Retornando agora à integralidade da Bíblia relaciono isso ao assunto: Da mesma forma em que a história da revelação especial tem duas divisões, é de se esperar que a Escritura em seu estágio completo e final tenha igualmente duas divisões principais. A nossa Bíblia, composta de duas partes, está completa, e é definitiva.
Embora sob o risco de ser repetitivo, fecharemos esta seção de nosso estudo revisando os fatos que nos levam a afirmar a verdade de “Sola Scriptura”. É impossível superestimar a importância desta questão. Eis então uma breve exposição revisando nossa linha de pensamento:
1. O Velho Testamento foi recebido por Jesus Cristo como a Palavra de Deus e como o registro de revelação especial indo até o fim do ministério de Malaquias.
2. Jesus Cristo, em sua vinda, foi a palavra final de Deus; a plenitude daquilo que Deus tinha a dizer.
3. Os apóstolos de Cristo foram testemunhas oculares e expositores da palavra final de Deus.
4. A eles foi prometida infalibilidade de memória concernente a Cristo, bem como plenitude de entendimento. Eles foram guiados em toda a verdade.
5. Seguindo o padrão dos profetas da Velha Aliança eles produziram um conjunto de Escrituras contendo a plenitude das revelações recebidas.
6. Os apóstolos ao produzir o Novo Testamento entregaram em seu tempo de vida um registro da palavra final de Deus. É por isso que Judas 3 fala da fé ou conjunto de doutrina que “uma vez foi dada”.
7. Sendo mortos os apóstolos, e sendo verdadeiras as promessas de Cristo, a Palavra de Deus agora está completa. O Novo Testamento contém a “doutrina dos apóstolos”, a “fé que uma vez foi dada aos santos”, a “toda a verdade”, e o “tudo” trazido à memória.
8. Qualquer tentativa de se fazer acréscimos ao Novo Testamento é uma tentativa de ir além de Cristo como sendo a palavra final de Deus.



[1] O conteúdo do Cânon Judaico é exatamente aquele de nosso Velho Testamento e nunca incluiu nenhum livro apócrifo. Nosso Senhor nunca citou os apócrifos, mas constantemente aceitou e usou o Cânon Judaico como autoridade.
[2] O apóstolo Paulo cita os escritos tanto de Moisés como de Lucas como sendo de igual autoridade (I Timóteo 5:18). Pedro reconheceu as epístolas de Paulo como sendo “Escritura” (II Pedro 3:15-16).

Autor: Ron Crisp 2007
Tradução: Eduardo Alves Cadete
Edição e formatação: CGG 06/2012
Revisão Gramatical: Robson Alves de Lima 06/2012
Fonte: www.palavraprudente.com.br
Reforma Radical

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