### Por Charles Haddon Spurgeon
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A adoção nos concede os direitos de filhos; a regeneração nos concede a natureza de filhos. Nós participamos de ambas, pois somos filhos.
Observemos aqui que essa filiação é um dom da graça recebido pela fé. Não somos filhos de Deus por natureza no sentido aqui descrito.
Em certo sentido, somos “descendência de Deus” por natureza, mas isso é muito diferente da filiação descrita aqui, que é o privilégio especial daqueles que nasceram de novo.
Os judeus alegavam pertencer à família de Deus; mas como seus privilégios vinham por meio do nascimento natural, eles são comparados a Ismael, que nasceu segundo a carne, mas foi expulso como filho da escrava e teve de dar lugar ao filho da promessa.
Nós possuímos uma filiação que não vem da natureza, pois fomos:
“gerados não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”
Nossa filiação vem pela promessa, pela operação de Deus como um dom especial a uma descendência escolhida, separada para o Senhor por sua própria graça soberana, assim como aconteceu com Isaque.
Esse privilégio e honra chegam a nós, conforme o contexto do texto, por meio da fé.
“Pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:26)
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# A Filiação Recebida Pela Fé
Como incrédulos, nada sabemos sobre a adoção. Enquanto estamos debaixo da lei, confiando em nossa própria justiça, conhecemos algo de servidão, mas nada sabemos sobre filiação.
Somente depois que a fé chega é que deixamos de estar sob o tutor e saímos da nossa condição de menoridade para assumir os privilégios dos filhos de Deus.
A fé opera em nós o espírito de adoção e a consciência de que somos filhos da seguinte maneira:
Primeiro, ela nos traz justificação.
O versículo vinte e quatro do capítulo anterior diz:
“A lei foi nosso tutor para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé.”
Um homem não justificado encontra-se na condição de criminoso, não de filho: seu pecado é colocado em sua conta, ele é considerado injusto e ímpio — como de fato realmente é — e, portanto, é um rebelde contra seu Rei, e não um filho desfrutando do amor de seu Pai.
Mas quando a fé reconhece o poder purificador do sangue da expiação e se apega à justiça de Deus em Cristo Jesus, então o homem justificado torna-se filho e criança de Deus.
Justificação e adoção sempre caminham juntas.
“Aos que chamou, também justificou”; e esse chamado é um chamado para a casa do Pai e para o reconhecimento da filiação.
Crer traz perdão e justificação por meio de nosso Senhor Jesus; e também traz adoção, pois está escrito:
“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome.”
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# Libertação da Escravidão da Lei
A fé também nos leva a experimentar nossa adoção ao nos libertar da escravidão da lei.
“Depois que veio a fé, já não estamos mais debaixo de um tutor.”
Quando gemíamos sob a consciência do pecado e estávamos presos por ele como em uma prisão, temíamos que a lei nos punisse por nossa iniquidade, e nossa vida se tornava amarga por causa do medo.
Além disso, em nossa maneira cega e autossuficiente, tentávamos guardar essa lei, e isso nos levava a outra forma de escravidão, que se tornava cada vez mais pesada à medida que um fracasso seguia o outro.
Pecávamos e tropeçávamos cada vez mais, para confusão de nossa própria alma.
Mas agora que a fé chegou, vemos a lei cumprida em Cristo, e vemos a nós mesmos justificados e aceitos nele.
Isso transforma o escravo em filho e o dever em escolha.
Agora nos alegramos na lei, e pelo poder do Espírito caminhamos em santidade para a glória de Deus.
Assim, ao crermos em Cristo Jesus, escapamos de Moisés, o capataz, e vamos para Jesus, o Salvador.
Deixamos de ver Deus como um Juiz irado e passamos a vê-lo como nosso Pai amoroso.
O sistema de mérito, mandamentos, punição e medo deu lugar ao governo da graça, da gratidão e do amor — e esse novo princípio de vida é um dos grandes privilégios dos filhos de Deus.
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# A Fé Como Marca da Filiação
Agora, a fé é a marca da filiação em todos os que a possuem, sejam eles quem forem, pois está escrito:
“todos vocês são filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26)
Se você está crendo em Jesus, seja judeu ou gentio, escravo ou livre, você é filho de Deus.
Se você começou a crer em Cristo apenas recentemente, e somente nas últimas semanas tem conseguido descansar em sua grande salvação, ainda assim, amado, agora você é filho de Deus.
Isso não é um privilégio tardio, concedido apenas quando a pessoa alcança segurança ou grande crescimento na graça.
É uma bênção inicial, que pertence até mesmo àquele que possui o menor grau de fé, que não passa de um bebê na graça.
Se um homem é crente em Jesus Cristo, seu nome está registrado no livro da grande família celestial.
Mas se você não tem fé, não importa o zelo que possua, não importa suas obras, não importa seu conhecimento, nem mesmo suas pretensões de santidade — você não é nada, e sua religião é vã.
Sem fé em Cristo você é como bronze que soa ou címbalo que retine, pois sem fé é impossível agradar a Deus.
Portanto, onde quer que a fé seja encontrada, ela é o sinal infalível de um filho de Deus, e sua ausência destrói qualquer pretensão a essa condição.
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# O Batismo Como Testemunho Público
Segundo o apóstolo, isso também é ilustrado pelo batismo.
No batismo você declarou estar morto para o mundo, e por isso foi sepultado no nome de Jesus.
O significado desse sepultamento, se realmente teve algum significado para você, foi que você confessou que daquele momento em diante estaria morto para tudo, exceto para Cristo, e que sua vida passaria a estar nele, vivendo como alguém ressuscitado dentre os mortos para uma nova vida.
É claro que a forma exterior nada aproveita ao incrédulo; mas para o homem que está em Cristo, ela é uma ordenança profundamente instrutiva.
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# Herdeiros de Deus
Assim, já não és servo, mas filho; e se és filho, também és herdeiro de Deus por meio de Cristo.
Nenhum ser humano jamais compreendeu plenamente o que isso significa.
Os crentes já são herdeiros neste momento, mas qual é a herança?
É o próprio Deus.
Somos herdeiros de Deus — não apenas das promessas, dos compromissos da aliança e de todas as bênçãos pertencentes ao povo escolhido, mas herdeiros do próprio Deus.
“O Senhor é a minha porção”, diz a minha alma.
“Este Deus é o nosso Deus para todo o sempre.”
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