22:52

 
C.H. Spurgeon

Adoção — O Espírito e o Clamor
Por: Charles Haddon Spurgeon.

“E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” — Gálatas capítulo 4 verso 6

   Não encontramos nas Escrituras a doutrina da Trindade em Unidade apresentada em termos formais, como aqueles usados no Credo Atanasiano; mas essa verdade é constantemente assumida, como se fosse um fato bem conhecido na igreja de Deus. Mesmo que não seja frequentemente apresentada em palavras exatas, ela aparece em toda parte de forma implícita, sendo mencionada incidentalmente em conexão com outras verdades, de maneira tão clara quanto se estivesse expressa em uma fórmula definida.

   Em muitas passagens essa verdade é apresentada de forma tão evidente que precisaríamos ser deliberadamente cegos para não percebê-la. No capítulo presente, por exemplo, encontramos menção clara de cada uma das três Pessoas divinas. “Deus”, isto é, o Pai, “enviou o Espírito”, isto é, o Espírito Santo; e aqui Ele é chamado de “o Espírito de seu Filho”.

   Não encontramos apenas os nomes, pois cada Pessoa divina é mencionada como atuando na obra da nossa salvação. Veja o versículo quatro: “Deus enviou o seu Filho.” Depois observe o versículo cinco, que fala do Filho redimindo aqueles que estavam debaixo da lei; e então o próprio texto revela o Espírito vindo ao coração dos crentes e clamando: “Aba Pai.”

   Assim, não temos apenas os nomes separados, mas também certas operações específicas atribuídas a cada Pessoa; portanto, fica claro que há aqui a personalidade distinta de cada uma. Nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito podem ser apenas uma influência ou um simples modo de existência, pois cada um age de maneira divina, mas com uma esfera própria e um modo distinto de atuação.

   O erro de considerar uma pessoa divina apenas como uma influência ou emanação geralmente é dirigido contra o Espírito Santo. Mas sua falsidade é claramente vista nas palavras: “clamando: Aba Pai.” Uma influência não poderia clamar; esse ato exige uma pessoa que o realize.

   Embora possamos não compreender completamente a maravilhosa verdade da Unidade indivisível e da personalidade distinta da Trindade divina, ainda assim vemos essa verdade revelada nas Escrituras Sagradas; portanto, nós a aceitamos como uma questão de fé.

   A divindade de cada uma dessas Pessoas também pode ser percebida no texto e em seu contexto. Não duvidamos da união amorosa de todas na obra de libertação.

   Reverenciamos o Pai, sem o qual não teríamos sido escolhidos nem adotados — o Pai que nos gerou novamente para uma viva esperança pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.

   Amamos e reverenciamos o Filho, por cujo preciosíssimo sangue fomos redimidos, e com quem estamos unidos em uma união mística e eterna.

   E adoramos e amamos o Espírito divino, pois é por meio dele que fomos regenerados, iluminados, vivificados, preservados e santificados. É também por meio dele que recebemos o selo e o testemunho em nossos corações, pelos quais somos assegurados de que realmente somos filhos de Deus.

   Assim como Deus disse antigamente: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, também as Pessoas divinas deliberam juntas e todas cooperam na nova criação do crente.

   Não devemos deixar de bendizer, adorar e amar cada uma dessas exaltadas Pessoas, mas devemos humildemente nos curvar diante do único Deus — Pai, Filho e Espírito Santo.

“Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; como era no princípio, agora é, e sempre será, por todos os séculos. Amém.”

   Tendo observado esse fato tão importante, vamos agora ao próprio texto, esperando desfrutar da doutrina da Trindade enquanto refletimos sobre nossa adoção, nessa maravilhosa graça da qual cada uma das Pessoas divinas participa.

   Que, sob o ensino do Espírito Santo, sejamos conduzidos a uma doce comunhão com o Pai, por meio de seu Filho Jesus Cristo, para a glória dele e para o nosso benefício.

Três coisas são claramente apresentadas em nosso texto:
A dignidade dos crentes — “sois filhos”.
A consequente habitação do Espírito Santo — “porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho”.
O clamor filial — “Aba Pai”

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